

Sou uma balzaquiana da América do Sul. Escrevo e tenho muito a dizer: sou inquieta, palavras transbordam de mim e resolvi compartilhá-las com amigos e outros (ainda não amigos), nesta enorme rede que é o mundo internáutico. A vida tá sempre em movimento e a gente muda todos os dias; deixando de ser quem éramos, e nos transformando em quem somos...Sejam bem-vindos ao meu mundinho das palavras and express yourself beibes!


Publico abaixo, um texto que concebi mês passado e, que faz parte da mostra da Artista Plástica Kika Nicolela em Londres: "SELECTED VIDEOS AND PHOTOS, June 12 – July 08 2009, at the 16mm, London, UK."
Para quem se interessar pelo trabalho da artista e quiser conhecer mais especificamente os vídeos que cito, basta acessar o site da artista: http://www.dilemastudio.com/
O texto também pode ser lido no site na versão em inglês.
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EU NÃO ACREDITO NUM DEUS QUE NÃO SAIBA DANÇAR, Nietzsche
Kika Nicolela é uma artista “plástica-cineasta”. Sua formação é em Cinema, mas seus filmes são sempre expostos no circuito artístico Seus vídeos expostos nesta mostra, tanto do Primeiro quanto do Segundo Programa articulam entre as fronteiras do pictórico e do corpóreo. Em “Passenger”,a mão que segura a câmera e tudo filma é guiada por um olhar desconstrutivo, deformador, desestetizador do olhar claro, do olhar formalista do “bom gosto”; a chuva e a luz incorpóreas são a semântica que rege este borrar de manchas e líquidos. Não temos como não nos lembrar dos artistas Impressionistas. Kika nos faz mergulhar num lago de Ninféas.
Já em “Naked”, o corpo nu dialoga com o concreto corpóreo e rígido da cidade. A pele feita de cimento, o asfalto feito de carne, tudo se interpenetra e nos inebria. O público torna-se privado e o privado público. Nossa experiência como espectadores é regida primordialmente pela sensorialidade, nossos sentidos acordam; buscamos cheiros, e nosso olhar quer raspar o tênue limite da espessura entre o filmado e o sentido
Em “Poema do Êxtase” a referência ao cineasta Bergman é óbvia, vemos Liv Ulmann, jovem e a atual, a questão primordial aqui é o tempo, o tempo congelado, estagnado.
Kika sempre dialoga entre os tênues limites do corpo, do ser e sua alteridade, o alcance de sua identidade no estar e relacionar-se com a natureza, os bichos, os efeitos atmosféricos .
Sua paleta busca sempre este corpo, substantivo e que sempre esta em busca de algo.
“Flux” volta a estas mesmas questões, e o ‘filtro’ avermelhado do vídeo anterior encontra-se aqui também entre nosso olhar e a superfície de Liv ou aqui entre a mulher que dança e flana e o cavalo e a natureza. Muitas referências me vêem a cabeça, o vermelhos de Caravaggio, o modo de filmar de Peter Greenaway, o barroquismo sempre presente: nos gestos do corpo, nas luzes, nos líquidos, etc
“Windmaker” novamente coloca a questão da mulher e a busca de si mesma em meio à natureza, ao vento, a água. O vídeo é um verdadeiro poema azulado, feito de manchas tênues, densas e aquosas. Isso que me seduz na obra de Kika, tudo é sempre um pretexto para a artista alcançar questões pictóricas, que ela revela no ato da edição,seu olhar-pincelada que tudo borra, desloca, deforma, disforma e contorna.
O vento nos pincela também.
Já em “Trópico de Capricórnio”, presente no segundo programa da mostra questões sociais dialogam agora com este corpo-produto. A questão aqui é o corpo como produto e suas metamorfoses.
Seus vídeos nos fazem pensar a respeito do lugar que ocupamos no mundo; que sentido buscamos? Através de corpos que se questionam, que andam que dançam que flanam há uma cabeça que não quer diluir-se, mas que busca neste fluir através dos vídeos um sentido final, que, como já disse Niezstche, dança na superfície terrestre.
Seus vídeos têm tecitura, são feitos como tecidos que pedem para ser tocados; tem textura, relevo, densidade; parecem feitos de pontos-cruz ou bordados. Não apenas o conteúdo que revelam é rico de significados e camadas a serem descobertas como também a estética tal como uma pincelada que são. Podemos perceber uma mesma impressão digital que abarca a todos: o corpo, seus versos, reversos e entrenós, seu relacionar-se com o entorno urbano e orgânico.
Dançar e questionar-se é estar e ser neste mundo que habitamos e nos habita.
Não acredito num Deus e também num homem que não saibam dançar
Daniella Samad
Maio 2009





Valeu a pena? Valeram a pena estes comentários, estas opiniões, estas críticas? Ficou o mundo melhor que antes? E eu, como fiquei? Isso esperava? Satisfeito com o trabalho? Responder “sim” a todas estas perguntas, ou a mesmo só a alguma delas, seria a demonstração clara de uma cegueira mental sem desculpa. E responder com um “não” sem excepções, que poderia ser? Excesso de modéstia? De resignação? Ou apenas a consciência de que qualquer obra humana não passa de uma pálida sombra da obra antes sonhada. Conta-se que Miguel Ângelo, quando terminou o Moisés que se encontra em Roma, na igreja de San Pietro in Vincoli, deu uma martelada no joelho da estátua e gritou: “Fala!” Não será preciso dizer que Moisés não falou. Moisés nunca fala. Também o que neste lugar se escreveu ao longo dos últimos meses não contém mais palavras nem mais eloquentes que as que puderam ser escritas, precisamente essas a quem o autor gostaria de pedir, apenas murmurando, “Falem, por favor, digam-me o que são, para que serviram, se para algo foi”. Calam, não respondem. Que fazer, então? Interrogar as palavras é o destino de quem escreve. Um artigo? Uma crónica? Um livro? Pois seja, já sabemos que Moisés não responderá.
Por estes dias terminei de ler dois livros maravilhosos e muito opostos, apesar de similares.....tratam-se de “A eternidade e o desejo", da portuguesa,
No outro livro, é o reencontro da menina que teve sua família assassinada com seu “carrasco”. Anos depois. O livro é curto, tem 80 páginas. Suguei-o numa tacada só, tem um rítmo inebriante, como o outro, porém este é frenético, cheio de dores ,de lembranças da guerra e sem poesia nenhuma. O de Ines, é tão viciante quanto ,porém situado num cenário exótico e sensual. Um nos fala do amor e suas sinestesias num contexto “caliente” dos trópicos e o outro da purgação da dor pelo enamoramento através do carrasco.
Um trecho do de Inês: “Os teus filmes congelam a vida, tanto como as minhas palavras. Eu não posso ver os teus filmes, e tu amas-me em silêncio. Assim duraremos..... No Brasil, território de afetos exacerbados, o que primeiro se aprende é o desprendimento , ou o dom de amar esquecidamente.....quantas pessoas pelas quais me apaixonei consegui amar?”
Agora, um trecho do livro de Baricco: “por mais compreensível que seja a vida, provavelmente nós a cruzamos com o único desejo de retornar ao inferno que nos gerou, e de viver ali, ao lado de quem, uma vez, nos salvou, daquele inferno. Tentou pensar de onde vinha aquela absurda fidelidade ao horror, mas descobriu não ter resposta. Compreendia somente que nada pede mais forte do que o instinto de voltar para lá onde nos despedaçaram, e de repetir aquele instante por anos. Pensando apenas que quem nos salvou uma vez pode depois nos salvar para sempre. Num longo inferno idêntico áquele de onde viemos. Mas inesperadamente clemente. E sem sangue.”
Foi ai que encontrei o ponto de convergência de ambos os livros: ambos falam da dor extrema da perda de seres amados e a volta que sevemos fazer à estes em dado estado da vida. Ou melhor, nunca voltamos à eles porque nunca os abandonamos ou os superamos, eles andam conosco vida adentro, de mãos dadas, e vesti-los, encará-los de frente as vezes é a única maneira de vivermos. Temos de dar às mãos ao feio, ao horror e à dor que nos forjou. Do contrário nunca poderemos seguir adiante. É uma purgação que se faz no dia a dia. A catarse através pelo lado escuro, cego e macabro da vida
De mãos dadas com o desejo e com o horror, cega e eternamente, sem sangue, mas adiante, sempre.
Neste final de semana mergulhei nalgumas exposições; umas muito boas e outras nem tanto.
A 28ª Bienal de SP nem vale a pena comentar...mas vamos lá: fez me sentir culpada de ser uma profissional da área das artes e perceber como deixou-se acontecer uma mostra tão frustante como esta. Impressionante. No andar térreo alguns vídeos datados de Godard e outros; que para tanto não precisavam ser exibidos sob o título de uma Bienal Internacional, mas caberiam muito bem numa mostra de filmes temáticos. Indo ao segundo andar, nos deparamos com o já 'famoso' vazio; onde tentou-se recheá-lo de todo um conteúdo falsamente conceitual, passando pela discussão da arquitetura modernista de Niemeyer, patati patatá....aí, ai, muito blá blá blá para nenhum conteúdo! Trabalhei neste espaço durante duas Bienais, em
Depois decidi-me por ir ao SESC Pinheiros, onde se encontra uma maravilhosa mostra do teatrólogo e multímidia Robert Wilson, mas comumente conhecido como BOB WILSON. Fantástica, recomendo. Feliz perceber o perfeito casamento da Arte com a Tecnologia ( o que também pude aferir na também excelente mostra
Na mostra de Wilson, em cartaz, até o inicio de Fevereiro, intitulada “VOOM PORTRAITS” são expostos nos 3 andares do prédio, vídeo-retratos de alta definição, um feliz encontro entre a fotografia, o filme, a literatura e a música. Portraits em televisores de altíssima definilção, onde alguns atores, tais como Brad Pitt, Isabella Rosselini e Wynona Ryder, e outras personalidades do mundo POP, tais como a artista burlesca Dita Von Tesse, posam sob precisa direção de Wilson; cada um na pele de uma ‘personagem’ e desenvolvem no deocrorrer do tempo da filmagem mínimos e sutis movimentos, gestos cuidadosamente coreografados. Fiquei de boquiaberta. Estabelece-se um delicado bate papo com os retratos de Andy Warhol, as performances do também performático Matthew Barney (marido da ótima Björk), e uma mescla de outros tantos cineastas interessantes, Tim Burton, etc. A luz é sempre uma coadjuvante dos ‘retratos’. Algumas poucas manipulações são aplicadas sobre os vídeos que são sempre lupados e com 'trilhas musicais' compostas por Peter Cerone, Michael Galasso e Glen Gould só contribuem para a melhor qualidades destas peças. Wilson, como ninguém soube combinar o movimento, a iluminação, a imagem em alta deinilção e um tema mais que clássico e recorrente da história da arte, o Retrato e, trazê-lo para uma discussão contemporânea, . E isto tudo sem perder conteúdo. Vejam!!
De lá fui ao Instituto Tomie Ohtake conferir a mostra
A mostra é intitulada “A consistência dos Sonhos”. Mas nossa, como é difícil transpor toda uma vida dedicada a literatura, à escrita , a solidão das páginas em branco e transpo-lá ao espaço expositivos de um ‘museu’. A literatura não se presta facilmente à ser ‘vista’ como um objeto museulógico. A coisa toda ficou muito didática e tediosa, sai de lá com dor na coluna de tanto que me debruçava sobre as vitrines que exibiam fotos e seus manuscristo. Saramago é um escritor maravilhoso mas, a exposição pareceu-lhe meter correntes nos pés. Excetuando-se as duas últimas salas grandes em que duas obras de um mesmo artista, articulam no espaço, fazendo projeções com palavras em cima de programas de softwares, se salvam as entrevistas em vídeos, onde podemos ver o próprio ganhador do Prêmio Nobel falando por si mesmo e não por uma enfadonha catalogação documental.
Hoje para acabar minha esbaldação de arte, fui à Pinacoteca do Estado , checar, já que era o último dia da mostra “Eliseu Visconti: Arte e Desig”, deste que foi nosso pintor que, como ninguém soube juntar a chamada Grande Arte com as Artes Decorativas do começo do século XX. A mostra era divina, exibindo os estudos preparatórios para a Boca de Cena do Teatro Municiapal do Rio de Janeiro a,ssim como seus cartazes, porcelanas, estudos de pinturas e volutas Arte Nouveau. Ele era nosso verdadeiro Klimt. Quem puder sugiro que quando forem ao RJ chequem com os próprio olhos a decoração do teto do Teatro Municipal assim como o pano de boca de cena. Viagei na mostra e sai de lá me sentindo numa Paris da Belle Époque!!
Muito bem para quem começou o final de semana escorregando por um tobogã à lá Playcenter num daqueles que já foi o local de grandes Bienais.
Deus do Céu. Ainda bem que Wilson e Visconti me salvaram!
O novo filme dos irmãos Coen, “Queime depois de ler”, em oposição ao sério, “Onde os Fracos não tem vez”,
Osbourne Cox (John Malkovich) é um analista que trabalha para a CIA. Ao chegar em uma reunião ultra-secreta ele descobre que foi demitido. Revoltado, ele resolve se dedicar à bebida e a escrever um livro de memórias. Katie (Tilda Swinton), sua esposa, fica espantada ao saber da demissão de Osbourne, mas logo deixa o assunto de lado por estar mais interessada em Harry Pfarrer (George Clooney), um investigador federal casado que é também seu amante. Paralelamente Linda Litzke (Frances McDormand), funcionária de uma rede de academias, faz planos para uma grande cirurgia plástica que deseja realizar. Ela tem em Chad Feldheimer (Brad Pitt), um professor da academia, seu melhor amigo. Até que um dia um CD perdido cai nas mãos de Linda e Chad, entregue por um faxineiro da academia. Ao perceberem que se trata de material confidencial, eles ligam para Osbourne Cox tentando conseguir dinheiro para evitar que seu conteúdo seja divulgado.
Brad Pitt esta hilário, um verdadeiro personal trainner idiota, que vive com uma garrafinha de água, mastigando chicletes e que não larga seus fones do iPOD, e parece nunca ter abandonado a mamadeira. MacDormand esta excelente no papel de uma mulher complexada em busca de ‘seu novo eu’, eternamente insatisfeita com seu corpo vive na internet à caça do homem perfeito. George Clooney é um amante idiota; um cafajeste que come toda e qualquer mulher que aparece na sua frente e jura falsas verdades de amor. Malkovitch talvez seja o personagem mais ‘sério’ do filme. Vive com os nervos à flor da pele.
O filme conta a história de pessoas incrivelmente cretinas que fazem coisas extremamente estúpidas relacionadas à sexo e a vida em si. O que torna tudo mais interessante é que não se tratam de políticos, mas de pessoas normais, como todas nós....
Não consegui me segurar de tanto rir. O filme fala de anti -espiões, é uma verdadeira homenagem aos filmes de espionagem, onde pululam chantagens,heróis gostosões e tramas diabólicas e pitorescas.
Uma verdadeira comedia de humor negro.
Nos faz pensar a respeito das estupidez humana e perceber de verdade que estes seres banais e idiotizados estão muito presentes em nossas vidinhas cotidianas.....
Todo mundo tem comentado comigo que adorou o filme, que ele é leve, divertido.
Mas eu não gostei.
Achei tão morninho. Um romance alternativo americaninho qualquer é a mesma coisa.
Adoro Woody Allen mas, apesar da linda fotografia, apesar dos lindos travellings a la Hitchcock, apesar do lindo elenco, apesar do Javier Bardem, aí, aií....apesar de Gaudí, apesar de Miró, apesar das lindas locações, e apesar da ótima trilha sonora e do violão de Pacco de Lucia, o filme não decola.
Onde esta o bom e velho humor irônico de Allen?
Onde esta a tragicomédia?
O filme não tem punch, o rítmo engasga; peguei-me olhando no relógio vários momentos.
Onde está o bom roteiro dos tão ótimos “Match Point, “O sonho de Cassandra”, “Tudo o que você queria sabe sobre sexo mas tinha medo de perguntar”; os amores de “Hanna e suas imrãs”? Onde esta a ironia judaica? Onde esta o meu esborrachar-me de rir ? Onde esta a trama inteligente e rápida?
Allen, ficou comum; até o central triângulo amoroso torna-se morno apesar do sex appeal de Barden e Cruz.
O beijo “gay’ que acontece entre Cruz e aquela loira sem graça- que acha que é a reeencarnação da Marylin Monroe- a tal da Scarlett (que não tem um décimo da força da mesma personagem de "O vento Levou..."), é uma vergonha de dar dó....aliás, Allen, deve ser por isso que ela é sua nova atriz-ícone, é gelada que só ela! E ainda por cima anda com os pés virados para dentro, prestem atenção quando Allen foca em seu andar...tadinha nem as botinhas ortopédicas a moça usou...
Bom, voltando do meu devaneio,,,,
Almodóvar já fimou isto tão melhor. Allen deve deter-se à Inglaterra, seu filme em solo espanhol não tem nada de caliente. Penelope Cruz é uma péssima histérica que até Freud riria.
Deveria ser Vicky Cristina, Londres.
O Fog lhe combinaria melhor.
Deixem Bardem e Cruz nas mãos de Almodóvar e dos irmãos Cohen que estes os sabem aproveitar.
Allen não tem ginga, não sabe bailar o flamenco