terça-feira, 27 de janeiro de 2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Feliz Hiato Novo

Feliz dois mil e nove novo! Axé macacada!
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Balanço
Valeu a pena? Valeram a pena estes comentários, estas opiniões, estas críticas? Ficou o mundo melhor que antes? E eu, como fiquei? Isso esperava? Satisfeito com o trabalho? Responder “sim” a todas estas perguntas, ou a mesmo só a alguma delas, seria a demonstração clara de uma cegueira mental sem desculpa. E responder com um “não” sem excepções, que poderia ser? Excesso de modéstia? De resignação? Ou apenas a consciência de que qualquer obra humana não passa de uma pálida sombra da obra antes sonhada. Conta-se que Miguel Ângelo, quando terminou o Moisés que se encontra em Roma, na igreja de San Pietro in Vincoli, deu uma martelada no joelho da estátua e gritou: “Fala!” Não será preciso dizer que Moisés não falou. Moisés nunca fala. Também o que neste lugar se escreveu ao longo dos últimos meses não contém mais palavras nem mais eloquentes que as que puderam ser escritas, precisamente essas a quem o autor gostaria de pedir, apenas murmurando, “Falem, por favor, digam-me o que são, para que serviram, se para algo foi”. Calam, não respondem. Que fazer, então? Interrogar as palavras é o destino de quem escreve. Um artigo? Uma crónica? Um livro? Pois seja, já sabemos que Moisés não responderá.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
O Eterno, o desejo e o Sangue
Por estes dias terminei de ler dois livros maravilhosos e muito opostos, apesar de similares.....tratam-se de “A eternidade e o desejo", da portuguesa,
No outro livro, é o reencontro da menina que teve sua família assassinada com seu “carrasco”. Anos depois. O livro é curto, tem 80 páginas. Suguei-o numa tacada só, tem um rítmo inebriante, como o outro, porém este é frenético, cheio de dores ,de lembranças da guerra e sem poesia nenhuma. O de Ines, é tão viciante quanto ,porém situado num cenário exótico e sensual. Um nos fala do amor e suas sinestesias num contexto “caliente” dos trópicos e o outro da purgação da dor pelo enamoramento através do carrasco.
Um trecho do de Inês: “Os teus filmes congelam a vida, tanto como as minhas palavras. Eu não posso ver os teus filmes, e tu amas-me em silêncio. Assim duraremos..... No Brasil, território de afetos exacerbados, o que primeiro se aprende é o desprendimento , ou o dom de amar esquecidamente.....quantas pessoas pelas quais me apaixonei consegui amar?”
Agora, um trecho do livro de Baricco: “por mais compreensível que seja a vida, provavelmente nós a cruzamos com o único desejo de retornar ao inferno que nos gerou, e de viver ali, ao lado de quem, uma vez, nos salvou, daquele inferno. Tentou pensar de onde vinha aquela absurda fidelidade ao horror, mas descobriu não ter resposta. Compreendia somente que nada pede mais forte do que o instinto de voltar para lá onde nos despedaçaram, e de repetir aquele instante por anos. Pensando apenas que quem nos salvou uma vez pode depois nos salvar para sempre. Num longo inferno idêntico áquele de onde viemos. Mas inesperadamente clemente. E sem sangue.”
Foi ai que encontrei o ponto de convergência de ambos os livros: ambos falam da dor extrema da perda de seres amados e a volta que sevemos fazer à estes em dado estado da vida. Ou melhor, nunca voltamos à eles porque nunca os abandonamos ou os superamos, eles andam conosco vida adentro, de mãos dadas, e vesti-los, encará-los de frente as vezes é a única maneira de vivermos. Temos de dar às mãos ao feio, ao horror e à dor que nos forjou. Do contrário nunca poderemos seguir adiante. É uma purgação que se faz no dia a dia. A catarse através pelo lado escuro, cego e macabro da vida
De mãos dadas com o desejo e com o horror, cega e eternamente, sem sangue, mas adiante, sempre.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Exposições
Neste final de semana mergulhei nalgumas exposições; umas muito boas e outras nem tanto.
A 28ª Bienal de SP nem vale a pena comentar...mas vamos lá: fez me sentir culpada de ser uma profissional da área das artes e perceber como deixou-se acontecer uma mostra tão frustante como esta. Impressionante. No andar térreo alguns vídeos datados de Godard e outros; que para tanto não precisavam ser exibidos sob o título de uma Bienal Internacional, mas caberiam muito bem numa mostra de filmes temáticos. Indo ao segundo andar, nos deparamos com o já 'famoso' vazio; onde tentou-se recheá-lo de todo um conteúdo falsamente conceitual, passando pela discussão da arquitetura modernista de Niemeyer, patati patatá....aí, ai, muito blá blá blá para nenhum conteúdo! Trabalhei neste espaço durante duas Bienais, em
Depois decidi-me por ir ao SESC Pinheiros, onde se encontra uma maravilhosa mostra do teatrólogo e multímidia Robert Wilson, mas comumente conhecido como BOB WILSON. Fantástica, recomendo. Feliz perceber o perfeito casamento da Arte com a Tecnologia ( o que também pude aferir na também excelente mostra
Na mostra de Wilson, em cartaz, até o inicio de Fevereiro, intitulada “VOOM PORTRAITS” são expostos nos 3 andares do prédio, vídeo-retratos de alta definição, um feliz encontro entre a fotografia, o filme, a literatura e a música. Portraits em televisores de altíssima definilção, onde alguns atores, tais como Brad Pitt, Isabella Rosselini e Wynona Ryder, e outras personalidades do mundo POP, tais como a artista burlesca Dita Von Tesse, posam sob precisa direção de Wilson; cada um na pele de uma ‘personagem’ e desenvolvem no deocrorrer do tempo da filmagem mínimos e sutis movimentos, gestos cuidadosamente coreografados. Fiquei de boquiaberta. Estabelece-se um delicado bate papo com os retratos de Andy Warhol, as performances do também performático Matthew Barney (marido da ótima Björk), e uma mescla de outros tantos cineastas interessantes, Tim Burton, etc. A luz é sempre uma coadjuvante dos ‘retratos’. Algumas poucas manipulações são aplicadas sobre os vídeos que são sempre lupados e com 'trilhas musicais' compostas por Peter Cerone, Michael Galasso e Glen Gould só contribuem para a melhor qualidades destas peças. Wilson, como ninguém soube combinar o movimento, a iluminação, a imagem em alta deinilção e um tema mais que clássico e recorrente da história da arte, o Retrato e, trazê-lo para uma discussão contemporânea, . E isto tudo sem perder conteúdo. Vejam!!
De lá fui ao Instituto Tomie Ohtake conferir a mostra
A mostra é intitulada “A consistência dos Sonhos”. Mas nossa, como é difícil transpor toda uma vida dedicada a literatura, à escrita , a solidão das páginas em branco e transpo-lá ao espaço expositivos de um ‘museu’. A literatura não se presta facilmente à ser ‘vista’ como um objeto museulógico. A coisa toda ficou muito didática e tediosa, sai de lá com dor na coluna de tanto que me debruçava sobre as vitrines que exibiam fotos e seus manuscristo. Saramago é um escritor maravilhoso mas, a exposição pareceu-lhe meter correntes nos pés. Excetuando-se as duas últimas salas grandes em que duas obras de um mesmo artista, articulam no espaço, fazendo projeções com palavras em cima de programas de softwares, se salvam as entrevistas em vídeos, onde podemos ver o próprio ganhador do Prêmio Nobel falando por si mesmo e não por uma enfadonha catalogação documental.
Hoje para acabar minha esbaldação de arte, fui à Pinacoteca do Estado , checar, já que era o último dia da mostra “Eliseu Visconti: Arte e Desig”, deste que foi nosso pintor que, como ninguém soube juntar a chamada Grande Arte com as Artes Decorativas do começo do século XX. A mostra era divina, exibindo os estudos preparatórios para a Boca de Cena do Teatro Municiapal do Rio de Janeiro a,ssim como seus cartazes, porcelanas, estudos de pinturas e volutas Arte Nouveau. Ele era nosso verdadeiro Klimt. Quem puder sugiro que quando forem ao RJ chequem com os próprio olhos a decoração do teto do Teatro Municipal assim como o pano de boca de cena. Viagei na mostra e sai de lá me sentindo numa Paris da Belle Époque!!
Muito bem para quem começou o final de semana escorregando por um tobogã à lá Playcenter num daqueles que já foi o local de grandes Bienais.
Deus do Céu. Ainda bem que Wilson e Visconti me salvaram!
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Queime depois de ler
O novo filme dos irmãos Coen, “Queime depois de ler”, em oposição ao sério, “Onde os Fracos não tem vez”,
Osbourne Cox (John Malkovich) é um analista que trabalha para a CIA. Ao chegar em uma reunião ultra-secreta ele descobre que foi demitido. Revoltado, ele resolve se dedicar à bebida e a escrever um livro de memórias. Katie (Tilda Swinton), sua esposa, fica espantada ao saber da demissão de Osbourne, mas logo deixa o assunto de lado por estar mais interessada em Harry Pfarrer (George Clooney), um investigador federal casado que é também seu amante. Paralelamente Linda Litzke (Frances McDormand), funcionária de uma rede de academias, faz planos para uma grande cirurgia plástica que deseja realizar. Ela tem em Chad Feldheimer (Brad Pitt), um professor da academia, seu melhor amigo. Até que um dia um CD perdido cai nas mãos de Linda e Chad, entregue por um faxineiro da academia. Ao perceberem que se trata de material confidencial, eles ligam para Osbourne Cox tentando conseguir dinheiro para evitar que seu conteúdo seja divulgado.
Brad Pitt esta hilário, um verdadeiro personal trainner idiota, que vive com uma garrafinha de água, mastigando chicletes e que não larga seus fones do iPOD, e parece nunca ter abandonado a mamadeira. MacDormand esta excelente no papel de uma mulher complexada em busca de ‘seu novo eu’, eternamente insatisfeita com seu corpo vive na internet à caça do homem perfeito. George Clooney é um amante idiota; um cafajeste que come toda e qualquer mulher que aparece na sua frente e jura falsas verdades de amor. Malkovitch talvez seja o personagem mais ‘sério’ do filme. Vive com os nervos à flor da pele.
O filme conta a história de pessoas incrivelmente cretinas que fazem coisas extremamente estúpidas relacionadas à sexo e a vida em si. O que torna tudo mais interessante é que não se tratam de políticos, mas de pessoas normais, como todas nós....
Não consegui me segurar de tanto rir. O filme fala de anti -espiões, é uma verdadeira homenagem aos filmes de espionagem, onde pululam chantagens,heróis gostosões e tramas diabólicas e pitorescas.
Uma verdadeira comedia de humor negro.
Nos faz pensar a respeito das estupidez humana e perceber de verdade que estes seres banais e idiotizados estão muito presentes em nossas vidinhas cotidianas.....
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Vicky Cristina Londres....
Todo mundo tem comentado comigo que adorou o filme, que ele é leve, divertido.
Mas eu não gostei.
Achei tão morninho. Um romance alternativo americaninho qualquer é a mesma coisa.
Adoro Woody Allen mas, apesar da linda fotografia, apesar dos lindos travellings a la Hitchcock, apesar do lindo elenco, apesar do Javier Bardem, aí, aií....apesar de Gaudí, apesar de Miró, apesar das lindas locações, e apesar da ótima trilha sonora e do violão de Pacco de Lucia, o filme não decola.
Onde esta o bom e velho humor irônico de Allen?
Onde esta a tragicomédia?
O filme não tem punch, o rítmo engasga; peguei-me olhando no relógio vários momentos.
Onde está o bom roteiro dos tão ótimos “Match Point, “O sonho de Cassandra”, “Tudo o que você queria sabe sobre sexo mas tinha medo de perguntar”; os amores de “Hanna e suas imrãs”? Onde esta a ironia judaica? Onde esta o meu esborrachar-me de rir ? Onde esta a trama inteligente e rápida?
Allen, ficou comum; até o central triângulo amoroso torna-se morno apesar do sex appeal de Barden e Cruz.
O beijo “gay’ que acontece entre Cruz e aquela loira sem graça- que acha que é a reeencarnação da Marylin Monroe- a tal da Scarlett (que não tem um décimo da força da mesma personagem de "O vento Levou..."), é uma vergonha de dar dó....aliás, Allen, deve ser por isso que ela é sua nova atriz-ícone, é gelada que só ela! E ainda por cima anda com os pés virados para dentro, prestem atenção quando Allen foca em seu andar...tadinha nem as botinhas ortopédicas a moça usou...
Bom, voltando do meu devaneio,,,,
Almodóvar já fimou isto tão melhor. Allen deve deter-se à Inglaterra, seu filme em solo espanhol não tem nada de caliente. Penelope Cruz é uma péssima histérica que até Freud riria.
Deveria ser Vicky Cristina, Londres.
O Fog lhe combinaria melhor.
Deixem Bardem e Cruz nas mãos de Almodóvar e dos irmãos Cohen que estes os sabem aproveitar.
Allen não tem ginga, não sabe bailar o flamenco
Ou coma muita paella!
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Los Dardenne


Algo de novo desponta no novo cinema Belga.
Vi neste final de semana o excelente filme “O Silêncio de Lorna” , de Luc Dardenne e Jean-Pierre Dardenne, ou mais comumente conhecidos como os irmãos Dardenne. Creio que estes ficarão na história como os também ótimos irmãos Tavianni e os Cohen.
Lorna (Arta Dobroshi), deseja se tornar sócia em uma lanchonete, juntamente com seu namorado belga. Para tanto ela aceita se casar com Claudy (Jérémie Renier), apenas para assim adquirir a nacionalidade belga. Após algum tempo ela é obrigada a mais uma vez se casar, desta vez com um mafioso russo, para obter sua cidadania. Só que, para que este novo casamento seja possível, Lorna precisa antes matar Claudy.
Ano passado vi da mesma dupla “A criança”.
Ambos filmes estão inseridos no debate dos novos paradigmas urbano-sociais. Tratam das relações humanas, do urbano, das novas tragédias sociais: imigração, aborto, paternidade,tráfico de crianças, vistos,e o dinheiro, sempre o dinheiro!
Infatigável preocupação do ser humano de ter uma identidade, uma nacionalidade. Neste que vi ontem, a questão dos chamados “green cards”, a obtenção da nacionalidade, em questão, a belga. Lorna é aquela que busca e alcança esta nacionalidade e também serve como moeda de troca para outros a obterem. As línguas faladas no filme anternam-se entre o francês (belga) e o albanês. Muito bom ver produções em que o inglês não é mais a língua central. O novo e inteligente filme trata dos cidadãos da Europa central e sua busca incansável de obter direitos igualitários para tornarem-se cidadãos de outros países.
Talvez este seja um tema central a ser tratado pelos governantes atuais, entre eles,Obama, visto que ele, em sua condição negra e de ‘linhagem’ africana deve ter tido pais que passaram pelos mesmos ‘entraves’ imigratórios....
Estes seres humanos querem poder ter o direito a tornarem-se cidadãos europeus. Fugir de seus países dilacerados pelas guerras civis.
No outro excelente filme da mesma dupla, que tive a oportunidad de ver ano passado no Cinesesc, o mesmo ator loiro, também presente em “Lorna’ como o marido junkie, era o pai de um bebê, e via-se metido na venda e tráfico de crianças Lá o bebe era O estorvo, a morte,e aqui, em Lorna, este a ‘salva’ . Lorna salva-se pela sua ‘gravidez’. salva-se por descobrir algum vinculo no mundo cão em que vive; onde as pessoas são sempre peças de um jogo de "War" e usadas como utensílios descartáveis.
Os Dardenne conseguem criar como ninguém um diálogo contemporâneoa entre seus filmes; estando sempre na linha de ponto das questões pulsantes do nosso louco e descriminatório mundinho cão. Este ganhou o prêmio em Cannes pelo seu excelente roteiro.
Arta,a iniciante atriz albansesa, é ótima, seus traços em muito me lembraram uma jovem Isabelle Adjani. O filme tem ‘punch’, a montagem é dinâmica e pulsante e nos deixa cativos desta frenética história.
Recomendo também o excelente "A Criança", de 2005, em que Sonia (Débora François) é uma jovem de 18 anos, que acabou de dar à luz a um menino. Bruno (Jérémie Renier), o pai, com 20 anos de idade vive de pequenos roubos cometidos por ele e seus comparsas adolescentes. Os dois vêem de maneira bem diferente o significado da chegada desta criança, sendo que os atos de Bruno em relação ao filho colocarão o casal diante de sérios dilemas sobre suas existências.
Foi o ganhados da palma de ouro de canes neste mesmo ano
Há ainda o primeiro filme da dupla, que ainda não vi, mas que também deve seguir a ótima linhagem, chama-se "Rosetta", de 1999.
Vou á caça na videolocadora....e viva a Bélgica!
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
OBAMA
Obama chegou lá
Luther Kink deve estar feliz no túmulo.
Malcom X apercebeu-se que discursar tanto em praça pública valeu a pena.
Michael Jackson deve estar envergonhado de ter-se desbotado.
Billie Holiday não mais choraminga sozinha defronte à “Blue Moon”
Nina Simone ergue várias taças, brindando-o
Pelé faz um gol
Gilberto Gil congratula-se de um dia ter estado ali, no poder
Daiane dos Santos faz um duplo mortal carpado
Stevie Wonder encherga luz ao fim do túnel
Mandela já pode deixar a terra feliz de um de seus ter chegado mais longe que ele
Ray Charles compõe um novo som
Todos sorriem
Obama esta lá. Obama sorri.
De alto do pódio. Agora, não mais contra. Mas ,no poder. Espero que a luz esteja nas suas mãos e os EUA possam ser um país com menos segregação racial e impecilhos aos imigrantes e tudo o mais que seu plano de governo propõe. E que o mundo beba do mesmo vinho.
Que a escravidão extinga-se no mundo
Parabéns aos negros.
Parabéns África
E ainda por cima o cara é um ‘negro gato de arrepiar”, espero que da melhor estirpe
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Veneza, novamente

Há pouco fiz aqui um texto sobre o filme de Luchino Visconti, de mesmo título.
O filme não perde para o livro e vice-versa. É raro isto acontecer; lembro-me assim rapidamente da adaptação cinematográfica do também excelente "O Nome da Rosa" de Umberto Eco.
As palavras de Thomas Mann tomam formas corpóreas no filme de Visconti. As roupas são aquelas mesmas vistas no filme,o cenário é aquele, os sentimentos são aqueles, o arrebatamento do belo é aquele de Visconti. Bom, sou suspeita, pois Visconti é um de meus preferidos; e agora, Mann também o é.
Suas palavras deslizam em paisagens que são as de Visconti. Aschenbach vai a Veneza sedento para a distância,com saudade para a distância e para a novidade. Ele quer isolar-se do mundo civilizado, do trabalho e da rotina. Mas não esperava enamorar-se pelo belo; vai em busca da solidão
Aschenbach morre contamplando o belo. Quem pode querer mais do que isso? Deitado num fim de tarde, observando a praia calma, o suave ronronar das ondas no mar,num por de sol, envenenar-se e esvair-se na contemplação do sublime e inalcansável.
Agora vou-me dedicar a outro Mann, "A Montanha Mágica". Tantas vezes começado e nunca adiante. Espero surpreender-me novamente.
Da Vida e Morte das Marionetes
Neste final de semana tive a oportunidade de ver o ótimo “Da vida das Marionetes” de Ingmar Bergman. Trata-se de um filme dos anos 80 em que questões básicas do ser humano são colocadas em questão. Como em seu fantástico “Sétimo Selo” em que o homem joga xadrez com a morte, este de 1956, aqui esta também se faz muito presente, tal como uma personagem.
Em “Marionetes” um casal em crise é
Eros e Tanatos, mais uma vez. A atração que temos pela morte. Matamos aquilo que amamos? Ele pensa em matá-la, mas não consegue, acaba por matar uma prostituta; tomando outra pelo objeto de seu amor/ ódio. A catarse realiza-se na morte não deo objeto amado mas de seu espelhamento invertido na sociedade; na puta que não é a mulher ‘pura’.
Katarina tem um amigo gay- TIM, este afirma que fidelidade não existe; se diz “viciado em intimidade, mas o que é a intimidade? É sempre a mesma coisa, o corpo se torna um obstáculo. Depois a alma.
Logo se esta numa confusão de sentimentos, fantasias e acordos.” Ele se olha no espelho e fala do envelhecimento, das rugas, das marcas da vida. Diz “que não entende a preocupação do ser humano com o tempo, porque alguns especialistas dizem que o tempo não existe.Você se transforma nisso. Toda discussão sobre intimidade é um sonho. Brutalidade e obscenidade. Prazer, sexualidade, horror e obscenidade. Ele precisa disso para viver.” Mas será que só ele, na sua condição homossexual ou todos nós também?? “Alguém me matará, mas isto é um pensamento excitante. Há certos poderes que não consigo controlar...Talvez seja este o paradigma entre a morte e a vida. A dor e o prazer,
Ao fim do filme quando Peter comete o assassinato da prostituta e vai preso, uma voz em off diz: “Só possuímos e temos controle daqueles que matamos....só aquele que se mata tem controle sobre si próprio.”
É isto a vida, pulsão e prazer pela morte também?? Somos então apenas marionetes nas mãos de algo maior ; repetimos padrões, “patterns” comportamentais que oscilam do prazer pela dor e da dor pelo prazer?


